CONTABILIDADE DE CUSTOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Autor: GILBERTO CASAGRANDE SANT’ANNA

 

 

 

 


CONTABILIDADE DE CUSTOS

 

  1. Sistemas de Custos

 

Terminologia aplicada à Contabilidade de Custos:

 

Gasto – é o valor arcado pela entidade para obter um produto ou serviço, representado pela entrega ou promessa de entrega de algum ativo (dinheiro, bens). Ex.: Gastos com mercadorias, gastos com pessoal etc.

 

Investimento – é um gasto efetuado em bens ou serviços com benefícios futuros. Os ativos são estocados na empresa e têm maior vida útil, sendo consumidos ou vendidos em maior tempo. Ex.: Máquinas, ações de empresas etc.

 

Custo – é o gasto efetuado em um bem ou serviço que é utilizado na produção de outros bens ou serviços ou revendido com lucro. Ex.: Matéria-prima de um produto, energia elétrica na produção de bens e serviços etc.

 

Despesa – são bens ou serviços consumidos para se auferir receitas. O dinheiro (ativo) é consumido ao se pagar os salários dos empregados. Ex.: comissões sobre vendas, despesas financeiras etc.

 

Desembolso – é o pagamento efetuado ao se adquirir um bem ou serviço.

 

Perda – é o bem ou serviço que se consome de modo involuntário e anormal.

 

Observações:

 

·         As despesas reduzem o patrimônio líquido da entidade;

·         O custo de um produto vendido representado pelo seu valor de compra ou valor de produção não é uma despesa, e sim, um custo de vendas ou custo de produção. O custo se refere ao gasto na compra ou na produção;

·         Todas as despesas são gastos. Porém, nem todos os gastos incorridos pela empresa são despesas. Um terreno comprado, por exemplo, é gasto mas não é despesa;

·         O desembolso pode ser antes, durante ou após a compra do bem ou serviço;

·         A perda não pode ser confundida com despesa ou custo para a empresa. Ela não é previsível. Ex.: perdas por incêndios, deterioração de produtos perecíveis etc.

 

Terminologia em entidades não-industriais:

 

O custo em empresas não produtoras representa, muitas vezes, o preço de aquisição de um bem ou produto destinado à revenda. Ex.: Custo de mercadorias vendidas. Em uma empresa de serviços, o custo representa o sacrifício financeiro dispendido para obtenção e prestação daquele serviço. Ex.: Custos dos serviços prestados, custo das consultas etc.

 

  1. Classificação de custos: custos diretos, custos fixos e variáveis. Separação entre custos e despesas

 

Custos diretos e indiretos:

 

Custos diretos – São custos diretos aqueles relacionados diretamente com a produção do produto (bem ou serviço), no qual podemos ter uma medida fiel do gasto realizado. Por exemplo, a quantidade de matéria-prima utilizada na produção de um bem é algo mensurável. Podemos determinar o custo da matéria-prima utilizada na produção, mesmo que tenhamos vários produtos.

 

Exemplos de custos diretos: Matéria-prima, embalagens, materiais de consumo, mão-de-obra etc.

 

Custo indireto – É o custo que não podemos determinar com precisão sobre cada produto, por isso ele é rateado ou alocado com base em algum critério. Por exemplo, não sabemos quanto de energia elétrica cada produto consome ao ser produzido. A energia elétrica da fábrica pode, então, ser rateada pelos produtos fabricados, com base nas quantidades produzidas ou em outro critério, como número de horas de mão-de-obra, por exemplo.

 

Exemplos de custos indiretos: Energia elétrica da fábrica, água consumida na fábrica, lubrificantes das máquinas, salários dos supervisores ou gerentes da fábrica etc.

 

Custos fixos e variáveis:

 

Custos fixosSão os custos incorridos para se fabricar o produto (bem ou serviço), que não têm relação com a quantidade produzida, ou seja, seu valor não varia mesmo que se produza mais ou menos bens ou serviços. Ex.: Aluguel da fábrica, manutenção, limpeza da fábrica etc.

 

Custos variáveis – São custos que variam conforme a produção. Uma maior quantidade produzida implica em maiores custos, assim como uma menor quantidade produzida implica em uma redução dos custos. Ex.: Matéria-prima, mão-de-obra, energia elétrica da fábrica etc.

 

Separação entre custos e despesas

 

Custos – São os gastos relacionados à produção, como matéria-prima, energia elétrica da fábrica, aluguel da fábrica, mão-de-obra destinada à produção etc. Em empresas não industriais, são os gastos efetuados com mercadorias compradas para revenda ou serviços prestados.

 

Despesas – São gastos de administração, vendas, financiamento etc. não diretamente relacionados à atividade produtiva. Assim, o aluguel dos escritórios da empresa, ao contrário do aluguel da fábrica, é despesa. Os salários dos administradores e funcionários do escritório da empresa são despesas, assim como a energia elétrica do escritório, materiais de escritório etc.

 

 

3.          Apropriação de Custos: material, mão-de-obra, rateio de custos indiretos; predeterminação de gastos gerais

 

Apropriação de custos

 

Primeiro passo – separar custos de despesas.

Material e mão-de-obra – são custos diretos.

Ex.: Supondo-se uma empresa que fabrica 3 produtos (A, B e C), o custo do material pode ser determinado pelas requisições do almoxarifado. Pelas requisições é possível determinar as quantidades de material utilizadas em cada produto (A, B ou C).

Em relação ao custo de mão-de-obra em cada produto, este pode ser apurado se a empresa detiver um controle de quais empregados trabalham em cada produto e quantas horas cada empregado se dedica na produção. Outros custos também podem ser diretos (como a energia elétrica) se pudermos medir quanto gasta cada produto separadamente. Se não pudermos medir quanto cada produto consome individualmente de um determinado custo, temos que aplicar algum critério de rateio. Neste caso, dizemos que o custo é indireto.

 

Rateio de custos indiretos – Custos indiretos como a manutenção da fábrica, a energia elétrica gasta na iluminação da fábrica, depreciação das máquinas de produção, lubrificantes utilizados na produção (máquinas) etc, têm de ser rateados em cada produto, pois não é possível determinar quanto cada produto consome separadamente.

Um critério de rateio dos custos indiretos pode ser o quanto cada produto consome proporcionalmente de custos diretos. Se, por exemplo, o produto A consome 23% do total de material e mão-de-obra, 23% dos custos indiretos serão direcionados ao produto. Assim, se o produto B consome 42% do total da matéria-prima (material) e mão-de-obra e o produto C 35% deste total, 42% dos custos indiretos serão rateados para o produto B e 35% dos custos indiretos serão rateados para o produto C.

Outro critério de rateio dos custos indiretos seria apenas considerar o custo de material ou, alternativamente, somente o custo de mão-de-obra em cada produto. Assim, se o produto A consome 25% de horas de mão-de-obra, 25% dos custos indiretos seriam alocados no produto, por exemplo. A quantidade de mão-de-obra aplicada a cada produto determinaria o rateio dos custos indiretos na mesma proporção, neste caso.

 

Predeterminação de gastos gerais – Para se ratear os custos indiretos de fabricação em cada produto, é necessário um certo grau de credibilidade no critério de rateio a adotar, sob pena de provocar custos distorcidos aos diferentes produtos. Há que se separar bem os custos diretos, que são apropriados diretamente aos produtos, dos custos indiretos ou gastos gerais de fabricação.

 

 

 

 

Exercício resolvido

 

Separar os custos e despesas da Empresa X, apropriando os custos diretos e indiretos por produto. Calcular o custo unitário de cada produto (utilizar para os custos indiretos o critério de rateio da matéria-prima utilizada), supondo-se 1.000 unidades de cada um.

 

Gastos da Empresa X

 

  1. Comissões sobre vendas – R$ 10.000,00
  2. Matéria-prima – Produto A ( R$ 50.000,00 ); Produto B ( R$ 150.000,00 ); Produto C ( R$ 100.000,00 ) = R$300.000,00
  3. Mão-de-obra na fábrica:

Produto A ( 1000 horas x R$ 5,00/hora )

Produto B ( 2500 horas x R$ 10,00/hora )

Produto C ( 2000 horas x R$ 10,00 hora )

 

  1. Salários da Administração – R$ 60.000,00
  2. Energia elétrica ( fábrica ) – R$ 15.000,00
  3. Material de escritório – R$ 5.000,00
  4. Despesas financeiras – R$ 4.000,00
  5. Embalagem – R$ 1.000,00
  6. Manutenção na Fábrica – R$ 2.000,00
  7. Energia elétrica ( administração ) – R$ 10.000,00

 

1º Passo

 

Separar custos e despesas:

Custos – 2, 3, 5, 8 e 9.

Despesas – 1, 4, 6, 7 e 10.

 

2º Passo

 

Separar custos diretos e indiretos:

Custos diretos – 2 e 3

Custos indiretos – 5, 8 e 9.

 

3º Passo

 

Apropriar os custos diretos aos produtos ( matéria-prima e mão-de-obra ):

 

Matéria-Prima

R$ 300.000,00 ( total )

Prod. A

R$ 50.000,00

Prod. B

R$150.000,00

Prod. C

R$ 100.000,00

 

Mão-de-obra( R$ 5.000,00 + R$ 25.000,00 + R$ 20.000,00 ) = R$ 50.000,00

 

Prod. A – R$ 5.000,00 ( 1000 horas x 5,00 / hora )

Prod. B – R$ 25.000,00 ( 2500 horas x 10,00 / hora )

Prod. C – R$ 20.000,00 ( 2000 horas x 10,00 / hora )

 

Total de custos diretos por produtos – R$ 300.000,00 + R$ 50.000,00

 

Prod. A = R$ 50.000,00 + R$ 5.000,00 = R$ 55.000,00

Prod. B = R$ 150.000,00 + R$ 25.000,00 = R$ 175.000,00

Prod. C = R$ 100.000,00 + R$ 20.000,00 = R$ 120.000,00

Total de Custos Diretos = R$ 350.000,00

 

4º Passo

 

Apropriar os custos indiretos aos produtos

Critério de rateio – Matéria-prima consumida

Custos indiretos – Energia elétrica ( fábrica ), Embalagem e Manutenção na Fábrica – R$ 15.000,00 + R$ 1.000,00- + R$ 2.000,00 = R$ 18.000,00.

 

Rateio dos custos indiretos

 

Produto

A

B

C

Matéria-Prima

R$ 50.000,00

R$ 150.000,00

R$ 100.000,00

%

16,66

50,00

33,33

Custos indiretos

R$ 3.000,00

R$ 9.000,00

R$ 6.000,00

Custos diretos

R$ 55.000,00

R$ 175.000,00

R$ 120.000,00

Total

R$ 58.000,00

R$ 184.000,00

R$ 126.000,00

Total

R$ 300.000,00

99,99

R$ 18.000,00

R$ 350.000,00

R$ 368.000,00

 

Custo dos Produtos ( total ) – R$ 368.000,00

Custo unitário de cada produto (1000 unidades de cada) – Produto A – R$ 58,00, Produto B – R$ 184,00 e Produto C – R$ 126,00

 

 

 

 

4. Rateio de custos na departamentalização

 

A informação em custos é fundamental à empresa que quer maximizar a sua lucratividade. Antes de ratear os custos indiretos, deve-se verificar o processo de produção dos diferentes produtos da empresa. Um determinado produto pode requerer a ação de vários departamentos de produção. Outro produto pode requerer a ação de um departamento só. Cada departamento de produção da empresa comporta-se como um centro de custos. Se um determinado departamento age mais em um determinado produto, os custos no departamento devem ter mais peso do que outros departamentos.

           

Ao ratear os custos indiretos de fabricação pelos diferentes departamentos, temos que usar algum critério. O aluguel da fábrica, por exemplo, pode ser rateado com base na área ocupada por cada departamento. A energia elétrica referente à iluminação da fábrica pode ser rateada com base no consumo das máquinas em cada departamento da empresa. Os custos indiretos com a Manutenção dos Equipamentos ( máquinas ) pode ser rateado com base no número de horas dedicadas por cada departamento no determinado produto. O rateio de custos por departamento permite identificar melhor os custos dos produtos nos diferentes departamentos da empresa. O rateio dos custos indiretos permite atribuir uma maior margem de lucratividade aos diferentes produtos da empresa.

 

5.Noções de Métodos de Custeio; por absorção, direto ou variável e ABC; definição, principais características, diferenciações, vantagens e desvantagens

 

Custeio por absorção – é o método que considera todos os custos ( fixos ou variáveis ) na produção do período determinado. As despesas só são confrontadas para se apurar o resultado. É o único método aceito pela legislação. No custeio por absorção, o custo é absorvido quando atribuído ao produto em cada fase de produção. Neste método, há três contas: uma de material direto, ourra de produtos em elaboração e outra de produtos acabados. Na medida em que o produto é produzido, são incorridos e contabilizados os custos em cada uma das contas. A conta de Materiais Diretos apresenta um saldo devedor no início do período, proveniente de materiais não utilizados no período anterior. À medida em que são efetuadas as requisições, a conta é creditada, debitando-se aconta de Produtos em Elaboração. Nesta conta são contabilizados os valores dos outros custos, como mão-de-obra e custos indiretos de fabricação. Se o produto for acabado, a conta será creditada com débito na conta Produtos Acabados.

 

Custeio Direto ou variável – Só são rateados ao produto os custos variáveis. Os custos fixos são registrados à débito da conta de resultado. Este método não é permitido pela legislaçào, porém é um método de custeiol utilizado na tomada de decisões, uma vez que os custos fixos são independentes do volume de produção da empresa, enquanto os custos variáveis se relacionam diretamente à produção.

            Desta forma, para efeito de levantamento de custos, só são considerados os custos variáveis, permitindo aos administradores uma visão melhor dos pontos de equilíbrio, receitas de vendas e custos dos produtos. Nem sempre é possível, na prática, separar as parcelas de custo fixo e variável em um custo incorrido no produto. Porém, neste método de custeio, é possível previnir distorções no resultado, uma vez que apenas os custos variáveis são considerados no cálculo de custo do produto.

 

 

Custeio Baseado em Atividades (ABC)

O Custeio Baseado em Atividades, conhecido como ABC, é uma metodologia de custeio que procura reduzir sensivelmente as distorções provocadas pelo rateio arbitrário dos custos indiretos.

O ABC pode ser aplicado, também, aos custos diretos, principalmente à mão-de-obra direta, e é recomendável que o seja; mas não haverá, neste caso, diferenças significativas em relação aos chamados "sistemas tradicionais". A diferença fundamental está no tratamento dados aos custos indiretos.

Com o avanço tecnológico e a crescente complexidade dos sistemas de produção, em muitas industrias os custos indiretos vêm aumentando continuamente, tanto em valores absolutos quanto em termos relativos, comparativamente aos custos diretos.

Outro fenômeno importante a exigir melhor alocação dos custos indiretos é a grande diversidade de produtos e modelos fabricados na mesma planta que vem ocorrendo nos últimos tempos, principalmente em alguns setores industriais.

Daí a importância de um tratamento adequado na alocação dos CIF aos produtos, pois os mesmos graus de arbitrariedade e de subjetividade eventualmente tolerados no passado podem provocar hoje enormes distorções. Essas dependerão dos dois fatores citados: proporção de custos indiretos no total e diversificação das linhas dos produtos.

O Custeio Baseado em Atividades, restringe-se a uma limitação do conceito de atividade no contexto de cada departamento. É uma visão exclusivamente funcional e de custeio de produtos conhecida como "primeira geração do ABC".

A utilidade do Custeio Baseado em Atividades (ABC) não se limita ao custeio de produtos. É acima de tudo, uma poderosa ferramenta a ser utilizada na gestão de custos.

 

 

 

 Identificação das Atividades Relevantes

Uma atividade é uma combinação de recursos humanos, materiais, tecnológicos e financeiros para se produzirem bens ou serviços. É composta por um conjunto de tarefas necessárias ao seu desempenho. As atividades são necessárias para a concretização de um processo, que é uma cadeia de atividades correlatas, inter-relacionadas. Em um departamento são executadas atividades homogêneas. Assim o primeiro passo, para o Custeio ABC, é identificar as atividades relevantes dentro de cada departamento. Neste ponto pode ocorrer de a empresa já possuir uma estrutura contábil que faça apropriação de custos por Centros de Custos, por Centros de Trabalho, por Centros de Atividades, o que irá possibilitar adaptações importantes.

Pode acontecer inclusive de cada centro de custos desenvolver uma atividade e, assim, o trabalho já fica bastante facilitado.

 Atribuição de Custos às Atividades

O custo de uma atividade compreende todos os sacrifícios de recursos necessários para desempenha-la. Deve incluir salários com os respectivos encargos sociais, materiais, depreciação, energia, uso de instalações etc.

Muitas vezes, é possível agrupar vários itens de custos em um só para refletir a natureza do gasto pelo seu total, como por exemplo:

Outras vezes, pode ser recomendável desmembrar uma conta em várias subcontas para melhor evidenciar os recursos utilizados por diversas atividades.

A conta de mão-de-obra Indireta, por exemplo, pode ter que ser aberta para separar as quantias gastas nas diferentes finalidades.

A primeira fonte de dados para custear as atividades é o razão geral da empresa. geralmente, é necessário, também, solicitar estudos da área de engenharia e realizar entrevistas com os responsáveis pelos departamentos ou processos e até com quem executa a atividade.

Dependendo do grau de precisão que se deseje, as atividades podem ser divididas em tarefas e estas em operações. Já em conjunto de atividades homogêneas desempenhadas com a finalidade de atingir um fim especifico constitui uma função, a qual, normalmente, é desempenhada por um departamento.

A atribuição de custos às atividades deve ser feita da forma mais criteriosa possível, de acordo com a seguinte prioridade:

    1. alocação direta;
    2. rastreamento; e
    3. rateio.

 A alocação direta se faz quando existe uma identificação clara, direta e objetiva de certos itens de custos com certas atividades. Pode ocorrer com salário, depreciação, viagens ou material de consumo.

O rastreamento é uma alocação com base na identificação da relação de causa e efeito entre a ocorrência da atividade e a geração dos custos. Essa relação é expressa através dos direcionadores de custos de primeiro estágio, também conhecidos como direcionadores de custos de recursos (isto é, de recursos para as atividades). Alguns exemplos de direcionadores são:

O rateio é realizado apenas quando não há a possibilidade de utilizar nem a alocação direta nem o rastreamento.

Identificação e seleção dos direcionadores de custos

A grande diferença, o que distingue o ABC do sistema tradicional é a maneira como ele atribui os custos aos produtos. Portanto o importante do ABC está na escolha do direcionadores de custos.

Que é um direcionador de Custos?

Direcionador de custos é o fator que determina a ocorrência de uma atividade. Como as atividades exigem recursos para serem realizadas, deduz-se que o direcionador é a verdadeira causa dos custos. Portanto, o direcionador de custos deve refletir a causa básica da atividade e, consequentemente, da existência de seus custos.

 

Custeio Baseado em Atividades (ABC) - Abordagem Gerencial e Gestão Estratégica de Custos

O ABC é, na realidade, uma ferramenta de gestão de custos, muito mais do que custeio de produto.

Segunda Geração do ABC

A segunda versão ou geração do ABC, foi concebida de forma a possibilitar a análise de custos sob duas visões:

a.                        a visão econômica de custeio, que é uma visão vertical, no sentido de que apropria os custos aos objetos de custeio através das atividades realizadas em cada departamento; e

b.                        a visão de aperfeiçoamento de processos, que é uma visão horizontal realizadas nos vários departamentos funcionais.

A visão vertical de custeio fornece basicamente os mesmos dados que já estavam contemplados na primeira versão do ABC.

A visão horizontal, de aperfeiçoamento de processos, reconhece que um processo é formado por um conjunto de atividades encadeadas, exercidas através de vários departamentos da empresa. Esta visão horizontal permite que os processos sejam analisados, custeados e aperfeiçoados através da melhoria de desempenho na execução das atividades.

Os sistemas tradicionais geralmente refletem os custos segundo a estrutura organizacional da empresa, na maioria dos casos estrutura funcional. O ABC, nesta visão horizontal, procura custear processos; e os processos são, via de regra, interdepartamentais, indo além da organização funcional. O ABC, pode ser visto, como uma ferramenta de análise dos fluxos de custos, e quanto mais processos interdepartamentais houver na empresa, tanto maiores serão os benefícios do ABC. Uma observação importante: quando se tem por objetivo calcular os custos dos processos, é preciso decidir sobre a inclusão, ou não, nos custos das atividades que compõem os processos, por exemplo, materiais diretos, sucatas, refugos, comissões etc.

ABC e Reengenharia

Na 2ª versão, o ABC deveria ser sempre implementado através de uma análise de processos, e as informações por ele geradas servem para auxiliar a gestão de processos. Ao analisar os processos para identificar e selecionar os direcionadores de custos, o ABC, poderá já na fase de implementação , propiciar economias que justifiquem a relação custo-benéficio do projeto.

Assim, a implantação de um sistema de custos baseados nos conceitos do ABC pode dar origem a reengenharia de processos. O caminho inverso também é possível: uma empresa que esteja envolvida num projeto de reengenharia pode desejar conhecer os custos de atividades e dos processos e avaliar economias obtidas, e daí a necessidade de um sistema de custos por atividades. O ABC pode ser, então, um instrumento de mudanças. É necessário, porem, que as pessoas tenham disposição e motivação para promover essas mudanças.

ABC e Análise de Valor

A análise de custos propiciada pelo ABC pode ser complementada pela análise de valor das atividades e dos processos. Essa análise de valor deve ser realizada sempre sob a ótica do cliente, interno ou externo, isto é, daquele que recebe e utiliza o bem ou serviço gerado pela atividade.

Neste sentido o ABC propõe que os custos sejam reportados por atividades, classificando-as em atividades que adicionam ou não valor para o cliente (interno ou externo).

Atividades que não adicionam valor são aquelas que poderiam ser eliminadas sem afetar os atributos do produto ou serviço. Esse julgamento é um tanto quanto subjetivo; porém, há certo consenso com relação a algumas atividades que não agregam valor, como por exemplo: inspecionar, conferir, retrabalhar, armazenar, movimentar materiais etc.

Definição do Escopo do projeto ABC

Um projeto de implementação de ABC pode propiciar ampla gama de informações. É fundamental definir claramente o escopo do projeto, que pode incluir itens como:

ABC e Custeio Variável  

A grande critica ao uso do ABC está no problema do rateio de custos fixos. Por isso muitos simplesmente o detestam.

O uso do ABC é extraordinário em termos de identificar o custos das atividades e dos processos e de permitir uma visão muito mais adequada para a analise da relação custo / beneficio de cada uma dessas atividades e desses processos. Permite o levantamento do quanto se gasta em determinadas atividades, tarefas e processos onde não se agrega valor ao produto (manufaturado, na forma de serviços etc.), mesmo que com a devida cautela em função de sempre permanente presença de algum nível de erro e mesmo de arbitrariedade nesses rateios.

Todavia, é necessário lembrar que é absolutamente possível, viável e mesmo necessário ter a aplicação do ABC também dentro do conceito de Custeio Variavel'ou seja, não existe nenhuma dificuldade maior, impossibilidade ou razão conceitual adversa para que se tenha a totalidade dos custos e despesas apurados pelo ABC completamente segregados em fixos e variáveis.

Ou seja, pode-se chegar ao custo + despesa globais de um produto dividido em duas parcelas: a) os custos diretos + os custos e despesas indiretos variáveis de cada produto e b) os custos e despesas fixos apropriados por esse método.

Assim, com inteligência pode-se aproveitar do lado bom dos dois extremos: apropriação só dos custos e despesas variáveis (Custeio direto ou variável) e apropriação de todos os custos e despesas da empresa (ABC neste caso).

Na realidade, o conceito de Margem de Contribuição fica exatamente completo desta forma, já que todos os custos e despesas variáveis de todas as naturezas (produção, vendas, administração, financiamento etc.) estarão totalmente alocados ao produto.

É absolutamente incorreto dizer-se sempre um método é, por definição, melhor do que o outro. Na realidade, um é melhor do que o outro em determinadas circunstâncias, para determinadas utilizações etc.

O fundamental e desejável seria que a empresa tivesse sempre um sistema flexível suficiente que propiciasse todas as informações necessárias, que são basicamente as seguintes:

    1. margem de contribuição de cada produto (custeio variável);
    2. custo de produção de cada produto (custeio por absorção, de preferencia com o rateio dos custos indiretos de fabricação pelo ABC - muito mais detalhado, analítico e com menor número de possíveis erros do que o tradicional rateio por departamentos);
    3. soma o custo global (custos e despesas) de cada produto (ABC completo).

 

Nem sempre isso é possível, necessário e passível de ser financeiramente suportado pela empresa. Por isso muitas vezes há que se analisar as necessidades mais prementes e escolher-se entre as alternativas existentes.

 

Outras Considerações sobre o ABC

Os conceitos e a metodologia do Custeio Baseado em Atividades (ABC) aplicam-se também as empresas não-industriais, pois atividades ocorrem tanto em processos de manufatura quanto de prestação de serviços. Logo, é possível utilizar o ABC em instituições financeiras, concessionárias de serviços públicos (telecomunicações, energia e outras), hospitais, escolas. Enfim, atividades e objetos de custeio são encontrados em todas as organizações, inclusive naquelas de fins não lucrativos.

O ABC também se ajusta muito bem às industrias que utilizam sistema de manufatura celular.

O ABC pode ser implementado sem interferir no sistema contábil corrente da empresa, isto é, pode ser um sistema paralelo; pode, também, ser utilizado apenas periodicamente. Neste caso, a periodicidade poderá ser preestabelecida ou ficar na dependência de fatores como: alteração do mix de produtos, na tecnologia de produção, no perfil de consumo de recursos pelas atividades ou destas pelos produtos etc.

O ABC, por ser uma ferramenta eminentemente gerencial pode, também incorporar conceitos utilizados na gestão econômica, como custo de oportunidades, custo de reposição, depreciação diferente dos critérios legais etc.

 

Gestão Estratégica de Custos

A expressão "Gestão Estratégica de Custos" vem sendo utilizada nos últimos tempos para designar a integração que deve haver entre o processo de gestão de custos e o processo da empresa como um todo. Entende-se que essa integração é necessária para que as empresas possam sobreviver num ambiente de negócios crescentemente globalizado e competitivo.

Limitações dos Sistemas tradicionais de custeio

As principais deficiências nesses sistemas tradicionais são:

Assim, esses sistemas deixam de fornecer aos tomadores de decisões importantes informações que possibilitem melhores desempenhos no processo de melhoria continua.

Bibliografia:

Martins, Eliseu. Contabilidade de Custos. São Paulo, Atlas, 2000.